Brincar é uma experiência fundamental para o desenvolvimento humano. Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista – TEA, as brincadeiras e os jogos, quando planejados de forma intencional e respeitando as características individuais, podem se tornar importantes oportunidades de aprendizagem, estimulando habilidades que contribuem para a autonomia e a participação nas atividades do dia a dia.
O brincar estruturado é uma abordagem que organiza as atividades com objetivos definidos, instruções claras e estratégias adequadas às necessidades de cada pessoa. Essa organização favorece a compreensão das propostas, oferece previsibilidade e cria oportunidades para o desenvolvimento de diferentes habilidades.
Segundo Adriana Cozzuol, coordenadora de Residências e Oficinas da AMA – Unidade Parelheiros, a estrutura é um elemento importante nesse processo.
“A estrutura traz previsibilidade e organização para o aprendizado, possibilitando que seja possível ensinar pessoas com qualquer nível de suporte”, explica Adriana.
Muito além da diversão
Por meio das brincadeiras, é possível trabalhar habilidades cognitivas, sociais, comunicativas e motoras, além de estimular a imaginação, a flexibilidade de pensamento, a autonomia, o respeito às regras e a interação social.
Essas experiências também podem contribuir para o desenvolvimento da consciência corporal e do autoconhecimento, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada pessoa.
“O brincar permite desenvolver habilidades cognitivas, sociais, comunicativas e motoras, além da imaginação, da flexibilidade de pensamento, da autonomia, do respeito às regras e da interação social”, destaca a coordenadora.
Respeitar as individualidades é essencial
Para que o brincar se transforme em uma experiência significativa de aprendizagem, é importante que as atividades sejam escolhidas considerando as habilidades, os interesses e as necessidades de cada pessoa. A organização dos materiais, a clareza das instruções e a atenção aos estímulos sensoriais também fazem parte desse planejamento.
Na AMA, o trabalho envolve estratégias que oferecem o suporte necessário para que cada residente compreenda e realize as atividades propostas, avançando gradualmente em seu processo de aprendizagem.
“As atividades devem ser escolhidas conforme as habilidades, os interesses e as necessidades de cada residente, com materiais organizados e instruções claras, considerando estímulos auditivos, visuais e cinestésicos”, explica Adriana.
Ela também destaca o uso do aprendizado sem erro, estratégia em que são oferecidas dicas e ajudas individualizadas para favorecer a realização correta da atividade desde o início, com redução gradual do suporte conforme a pessoa desenvolve suas habilidades.
“No nosso trabalho na AMA, utilizamos o aprendizado sem erro, oferecendo dicas e suporte físico quando necessário, de forma padronizada e cuidadosa, favorecendo a aprendizagem e a autonomia”, completa.
Aprender passo a passo
Ensinar a brincar também significa reconhecer que algumas habilidades precisam ser desenvolvidas gradualmente. Com atividades estruturadas, acompanhamento e estratégias adequadas, é possível criar oportunidades para que pessoas com autismo ampliem suas possibilidades de participação, façam escolhas e conquistem maior independência.
Mais do que uma atividade recreativa, o brincar estruturado pode ser um importante recurso de aprendizagem e desenvolvimento. Quando planejado de acordo com as necessidades de cada pessoa, ele contribui para a construção de habilidades que fazem diferença na rotina e na qualidade de vida.
Na AMA, esse trabalho reforça a importância de olhar para cada residente em sua individualidade, reconhecendo suas potencialidades e criando oportunidades para que novas aprendizagens aconteçam.