Outubro é marcado pela conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Para meninas e mulheres autistas, porém, falar sobre saúde também significa pensar em como tornar o acesso aos cuidados possível e adequado às diferentes necessidades de suporte.
Consultas e exames podem envolver estímulos sensoriais, mudanças de rotina, contato físico, ambientes desconhecidos e muitas informações novas. Para algumas pessoas autistas, essas situações podem gerar desconforto ou dificultar a comunicação de dor, medo ou dúvidas. Por isso, preparar a paciente e adaptar o atendimento pode ser tão importante quanto a realização do próprio exame.
Esse cuidado pode começar desde a infância, com orientações adequadas à idade sobre o próprio corpo, saúde, higiene, consultas médicas e formas de comunicar desconfortos. Na adolescência e na vida adulta, é importante ampliar gradualmente essa participação, respeitando a forma de comunicação e o nível de suporte de cada mulher.
Quando um exame for necessário, algumas medidas simples podem ajudar: explicar antecipadamente o que irá acontecer, utilizar linguagem clara e objetiva, reduzir estímulos sensoriais quando possível, permitir a presença de uma pessoa de confiança e avisar antes de qualquer toque ou procedimento.
Também é importante lembrar que necessitar de suporte não significa não poder participar das decisões sobre o próprio corpo. Para algumas mulheres, autonomia será realizar o cuidado de forma independente; para outras, será participar dele com o apoio de familiares, cuidadores ou profissionais.
No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda atualmente a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Fora dessa situação, a necessidade de exames e a investigação de sinais ou sintomas devem ser avaliadas individualmente por profissionais de saúde.
Neste Outubro Rosa, ampliar a conscientização também significa reconhecer que o cuidado precisa ser acessível, previsível e respeitoso.
Porque garantir o direito à saúde é também garantir que cada mulher tenha condições de compreender, participar e ser cuidada.